quarta-feira, 12 de novembro de 2014


Especialistas analisam o que Rollemberg (PSB) deve enfrentar a partir de janeiro. Segundo eles, a escolha da equipe de transição traz uma perspectiva das pretensões do socialista
Tamanho da Fonte     Redação Jornal da Comunidade
Para especialistas, a expectativa do governo de Rodrigo Rollembeg é bem positiva e de otimismoPara especialistas, a expectativa do governo de Rodrigo Rollembeg é bem positiva e de otimismo


A escolha da equipe de transição anunciada, esta semana, composta por professores da Universidade de Brasília (UnB), servidores e ex-servidores dos governos local e federal, mostra que o governador eleito do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), segundo especialistas, pretende ter acesso a estudos aprofundados e, assim, obter as informações reais da situação que receberá a cidade no próximo ano. Antônio Flávio Testa, cientista político, por exemplo, faz uma análise e mostra que a vitória do pessebista significa a ruptura com a velha dicotomia azul e vermelho. Para ele, o DF viverá um novo tempo, de fato, a partir do início do novo governo. A expectativa é de otimismo e sente, entre a população, entusiasmo com a nova gestão, embora saiba das dificuldades que o novo gestor enfrentará.

Após as analises feitas durante a fase de campanha, Testa acredita que os brasilienses estão com uma expectativa muito positiva em relação ao próximo governo. Ele explica que foram elaborados estudos sobre os principais problemas do Distrito Federal, ao longo de quase dois anos, e esses estudos permitirão ao governador iniciar sua gestão com conhecimento de causa. “Essa é, sem dúvida, uma grande vantagem. A equipe que acompanha a transição de governo é competente e bem preparada. Caberá ao governador montar um secretariado comprometido com o plano de governo aprovado e que tenha condições de implementá-lo. O governo tem que demonstrar conhecimento técnico, competência política e capacidade operacional, para executar o plano de governo e transformar promessas de campanha em realidade concreta. É isso que a sociedade brasiliense espera do próximo governo”, analisa o cientista.

A partir de agora, segundo Testa, o governador eleito entra na nova etapa, na qual o que foi prometido em campanha, viram os compromissos e devem ser cumpridos. “Na minha opinião, um dos principais desafios será fazer com que o servidor público, de todas as áreas de governo, se motivem e queiram trabalhar em prol da sociedade; e não apenas em defesa de interesses corporativos. O governador deverá mostrar que a autoridade que a população lhe delegou, pelo voto, será exercida com competência e rigor, sem autoritarismo”, observa.

Outro desafio, de acordo com Testa, será convencer a Câmara legislativa que o modelo político clientelístico e fisiológico, baseado no “toma lá, dá cá”, será efetivamente substituído por um projeto político voltado para a construção de um Distrito Federal com a importância real que tem, do ponto de vista geopolítico e econômico. “Para tanto, terá que negociar, em profundidade, a transformação qualitativa de uma casa legislativa voltada para miudezas e interesses paroquiais e corporativos, para uma verdadeira câmara distrital com caráter estratégico e competência para realizar as grandes transformações que a sociedade local almeja”.

Rodrigo Rollemberg também enfrentará desafios na segurança pública do Distrito Federal. Testa diz que o governador eleito terá que implantar um plano de segurança pública que contemple não somente ações repressivas, mas que amplie a capacidade preventiva, a partir de políticas de planejamento familiar, de infância e sobretudo de juventude, focadas no empreendedorismo empresarial, esportivo e artístico, para minimizar, ao máximo, o efeito nocivo do abandono familiar e da expansão do consumo e tráfico de drogas, sobretudo do crack. “Ele terá que vencer o corporativismo dos órgãos de segurança e fortalecer a Secretaria de Segurança, dando a essa instituição poder de comandar a política de segurança pública”.

O Entorno, segundo analisa o cientista político, também terá que entrar nos programas da nova gestão. “Rollemberg deverá desenvolver uma política de crescimento do Entorno, liderando esse processo e negociando com o governo de Goiás e o Governo Federal a consolidação da uma região metropolitana. Será necessário promover o desenvolvimento econômico dos municípios do Entorno, evitando a migração forçada daquela população em busca de melhores condições de subsistência e promova a migração turística, que ocorre em melhores condições e gera riqueza e satisfação. São desafios imensos e  difíceis de serem vencidos. Mas o governador Rollemberg merece um voto de confiança”, pontua Testa.

Cientista político Flávio Testa: ''Relação com a Câmara será desafio''Cientista político Flávio Testa: ''Relação com a Câmara será desafio''

Ainda em analise da próxima gestão, Testa diz que se Rollemberg conseguir realizar seus compromissos, o Distrito Federal será muito melhor daqui a quatro anos. Mas, ele lembra que  sozinho não tem condições de realizar essa mudança. “Temos uma Câmara distrital de difícil convivência e de interesses muito difusos e particulares, e isso pode dificultar muito as coisas. apesar de, no primeiro momento, conseguir uma boa base de apoio. Acredito ainda que GDF precisa de um governador que transmita confiança à população e autoridade sobre seus subordinados. E isso é vital para acabar com o marasmo e o desânimo vigente e que decorre, sobretudo, do aparelhamento do Estado, da falta de uma política de carreira e avaliação de desempenho das diversas áreas de governo e do servidor público”.

Em uma visão mais realista, o cientista político ressalta que os problemas na saúde, educação, transporte não serão possíveis de se resolver tudo de início. “É preciso um tempo para corrigir erros, replanejar e implementar novos modelos de gestão. Isso leva algum tempo.

Creio que nos primeiros três meses serão feitos ajustes e, logo em seguida, mudanças aparecerão”, completa.

Sobre a transição de governo, Testa observa que é uma situação delicada. “Quem sai, sai magoado e desanimado. Sempre ocorre algum desleixo, é consequência da derrota. Mas o povo não tem nada com isso, é preciso que seus direitos sejam assegurados. Cabe à equipe de transição fazer uma auditoria administrativa detalhada, identificar problemas que podem ser resolvidos imediatamente, evitando a diminuição da qualidade dos serviços essenciais prestados à população e preparar para o início do próximo governo sem que haja problemas de continuidade”.


Nenhum comentário:

Arquivo do blog