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quinta-feira, 10 de maio de 2012

O PROBLEMA DO CRACK NO BRASIL



A droga
 
O crescimento do consumo do crack no Brasil denota uma marcante transformação nos hábitos dos usuários. Durante o período de 1960 até o início dos anos 1990, houve crescente proliferação do consumo de maconha e outras drogas químicas como o Ácido Lisérgico, LSD - e anfetaminas variadas. Mas a repressão sobre a oferta dessas drogas no mercado estimulou o aparecimento de novas produtos obtidos por outros processos produtivos.

Assim surgiu o Crack, subproduto da cocaína, esta muito utilizada por usuários com maior poder de compra. O Crack, oferecido ao usuário por um preço final bem mais acessível, mas com um poder devastador muito mais intenso, causa prejuízos não só ao usuário.
Atinge também, de várias formas, toda sua constelação familiar, estendendo seus efeitos nocivos a todos os setores sociais mais próximos daqueles que vivem diretamente a tragédia da dependência à droga.

É sabido que o uso do crack altera quimicamente parte do cérebro responsável pelo chamado “sistema de recompensa”. O uso da droga estimula um neuro transmissor químico conhecido como dopamina, que tem por função gerenciar um mecanismo de respostas químicas do corpo ao prazer. Naturalmente, a dopamina é liberada por células do sistema nervoso durantes atividades prazerosas como comer ou fazer sexo.
Quando liberada, a dopamina navega entre as células nervosas, realizando uma sinapse*, ligando-se a um neurônio. Ao realizar essa operação, envia um sinal àquela célula nervosa, que produz, como efeito, uma sensação de prazer. Segundo estudos médicos, o intenso e curto efeito prazeroso, leva o dependente à busca constante de mais droga para se manter em êxtase.
*Conexão entre dois neurônios vizinhos, da qual há mais de um tipo, segundo as formações que fazem o contato entre essas células para que se propague o impulso nervoso de uma para outra.

Em condições saudáveis, esse processo gera a reabsorção da dopamina pelo neurônio que a liberou, com o auxílio de uma proteína denominada transportador de dopamina. Liberada a dopamina continua estimulando o receptor. Daí, a intensa sensação de empolgação e prazer do usuário.
Em usuários do crack, a dopamina permanece estimulando as células, criando intensa sensação de euforia, que dura de 5 a 15 minutos. Após esse curto período, o usuário se deprime e desanima.

Isso gera desejo de recuperar a sensação de prazer, induzindo-o a buscar mais crack, na esperança de alcançar o prazer novamente. E esse ciclo é contínuo. Entretanto, depois de utilizar a droga durante certo tempo o usuário torna-se mais resistente ao seu efeito, e isso o leva a buscar mais consumo para satisfazer suas necessidades. O vício se estabelece rapidamente, mas evidentemente sua intensidade depende da cada organismo, para se instalar. Não há um tempo específico para isso; sabe-se, contudo, que o vício físico está relacionado ao vício psicológico.
A tragédia da dependência ao crack é notada pelos efeitos degradantes que se manifestam quando usuários tentam parar de usar a droga.
Os sintomas mais visíveis da abstinência são:
• Depressão profunda
• Ansiedade / paranoia
• Necessidade intensa de conseguir a droga
• Irritabilidade
• Agitação
• Exaustão intensa
• Raiva (até incontrolável)
• Comportamento agressivo
• Descontrole emocional e atitudinal
• Ruptura dos sistemas de autocontrole emocional e de relacionamento social
• Perda de discernimento

A droga na sociedade

O problema do aumento do consumo de drogas na sociedade contemporânea é marcante. Revela desajustes de adaptação, de segmentos sociais, a padrões comportamentais baseados em sistemas de controle social historicamente consolidados. E capazes de manter grupos sociais vinculados a pautas de comportamento previamente determinadas por instituições legitimadas pelo Estado e pela Sociedade como a família, a escola e outras.

Esse modelo sofreu forte impacto de setores sociais contestadores, que não concordavam com as regras e as pautas comportamentais impostas pelas instituições, a partir dos movimentos de contestação social dos anos 1960 em diante. Movimentos libertários e outros fatores, contribuíram bastante para o aumento do consumo de drogas coletivamente. A indústria do narcotráfico experimentou significativo crescimento. Esse fenômeno obrigou governos de vários países a fazerem grandes esforços para conter o tráfico e o expansivo consumo, sobretudo entre jovens.

Ações públicas de enfrentamento ao tráfico de drogas

Já faz alguns anos que o uso do crack no Brasil tornou-se um grave problema social, demandando ações de saúde e de segurança; de forma tão abrangente que transcende os limites da segurança pública e avança para o âmbito da segurança nacional. Isso porque o país tem 580 municípios de fronteiras com países vizinhos. Alguns produtores de drogas como a maconha e a cocaína.
Devido à multiplicidade de fatores vinculados ao problema da droga na sociedade, sobretudo sua associação com a violência e o tráfico, os sistemas de segurança pública precisam agir de forma integrada, tanto com suas estruturas internas, órgãos que formam os sistemas de segurança pública, como com os demais entes que prestam serviços preventivos e complementares aos problemas sociais gerados pelo tráfico e consumo de drogas.

Somente com ações integradas será viável o enfrentamento a rede do narcotráfico. Isso requer ações coordenadas de forma a atingir desde a gestão municipal, passando pelos governos estaduais e federal, transcendendo limites geográficos e jurisdicionais. Para tanto, é necessário um grande esforço de coordenação e gerenciamento, além de investimentos em tecnologia e capacitação profissional. Tudo isso demanda aplicação de recursos, nem sempre disponíveis em montante compatível às necessidades.

O problema dos municípios de fronteira precisa ser resolvido com competência, de forma a evitar que o país continue sendo rota internacional da droga e grande consumidor interno, causando imensos problemas sociais.
No Brasil, em 2012, o governo federal se comprometeu a aplicar quatro bilhões de reais no programa de combate e prevenção ao crack, que pretende se concentrar em três eixos: cuidado, autoridade e prevenção.

Esse programa prevê ações que demandarão competência técnica e operacional, pois intenta mudar vários princípios no que tange ao combate e ao atendimento àqueles que necessitam de tratamento.
O programa propõe desde a internação involuntária de usuários até a criação de 308 “consultórios de rua”, com atendimento especializado por médicos, psicólogos e enfermeiros. Informa o Ministério da Saúde, que a Organização Mundial da Saúde e o Estatuto da Criança e do Adolescente preveem a internação involuntária do usuário, como medida de proteção à vida. Mas não se tem notícias de onde serão implantados esses consultórios. E isso preocupa porque, de acordo com estudos feitos pelo Observatório do Crack, 98% dos municípios pesquisados apresentam problemas com a droga.

Quando se analisa o programa proposto pelo Governo Federal, verifica-se que, para sua adequada implantação, serão necessárias ações articuladas com os municípios, que são os principais responsáveis pelo atendimento aos dependentes. Uma vez que a tragédia do crack ocorre exatamente nos municípios, onde vivem os dependentes e seus familiares.
É fundamental que o Governo Federal adeque suas ações às realidades municipais, para que tanto o enfrentamento ao tráfico como o atendimento ao usuário façam parte de políticas públicas integradas, para que seu resultado seja positivo. E não sobrecarregue os municípios de responsabilidades, sem os devidos recursos financeiros, tecnológicos e humanos para prestar o necessário atendimento à população.
A proposta de parceria que o Governo Federal oferece deve partir de um diálogo com os governos municipais e entidades sociais que possam colaborar com ações de atendimento aos usuários e suas famílias. De forma a minorar o sofrimento e a promover a reinserção, quando possível, ao convívio social, dos usuários.

Evidentemente um programa efetivo de enfrentamento ao problema do crack exige que áreas de segurança atuem com competência e inteligência e se articulem com as demais áreas sociais, sobretudo as escolas e, estas, com as famílias, preventivamente.
Noutra dimensão, a da assistência aos usuários, também é fundamental a aproximação das áreas de saúde e assistência social, para minimizar os nefastos efeitos que a droga produz no âmbito das famílias, gerando sobretudo mais violência e sofrimento.

Os municípios, por meio da ação de seus governantes, devem se mobilizar para atuar mais intensamente no enfrentamento ao tráfico e no atendimento aos dependentes, cobrando os necessários investimentos e recursos para que possam promover o bem estar de suas populações.
A tragédia do Crack é, antes de tudo, um problema para os municípios. E são estes que devem receber especial atenção do governo federal, para serem parceiros prioritários na implantação de um programa de combate ao crack.


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