terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Mensalão: “Só a transparência não resolve; Justiça tem que punir”, diz cientista político
terça-feira, 29 de setembro de 2009
REFORMA POLÍTICA, quem ganha e quem perde
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
A geografia do crime no DF
Ao analisarmos o comportamento criminoso no distrito federal nos deparamos com algumas peculiaridades: a vulnerabilidade do patrimônio público e privado é crescente, não obstante Brasília ser a cidade que mais contrata serviços de segurança privada, segundo a própria imprensa divulgou recentemente. Outra característica está ligada ao crescente consumo de drogas na cidade, a últimas apreensões feitas pela polícia demonstra a robustez do mercado de consumo local que, mesmo com as prisões, continua aquecido. Incrível! É notável também a pujança da economia informal, sobretudo no que se refere à indústria do desmonte e de circulação de produtos roubados. O patrimônio público e privado, vulneráveis, tornam-se atrativos para esse tipo de crime. Sabe-se de prisões de ladrões de carros, de eletrodomésticos, de eletrônicos etc, mas não são publicizadas as prisões dos receptadores, tampouco temos informações sobre a dinâmica desse mercado que se abastece do patrimônio alheio e que volta às mãos de consumidores que se apropriam indiretamente do produto dessa ação criminosa, alimentando perversamente um ciclo vicioso, baseado na expropriação do patrimônio alheio.
Os crimes de colarinho branco não são objeto de análise nesse artigo, até porque são considerados irrelevantes pelo poder público, pelos três poderes. A sociedade assiste assustada e anestesiada ao crescimento da impunidade, aos acordos que as elites dirigentes fazem para proteger aqueles que mandam, de fato, no país, enquanto o cidadão comum financia, mediante altos impostos, a construção de duas trágicas estruturas: a sua transformação em vítima potencial da violência e a ineficiência do Estado, incapaz de combater o crime. ´
Não há a quem recorrer, os três poderes continuam articulados para beneficiar os poderosos e criminalizar o coitado, aquele que comete crimes movidos pelas mais diversas motivações, inclusive pelo exemplo dado explicitamente pelos elites dirigentes. A economia do combate ao crime prospera, enquanto famílias vitimizadas, desesperadas, gritam, choram e se recolhem no seu luto indignado e sofrido. Mas a balada continua, a juventude, os adultos e muitos outros consomem drogas e curtem a vida como se nada custasse para a sociedade a economia do tráfico, nem a política da impunidade, que se alimenta das brechas legais, favorecendo os criminosos e enriquecendo quem vive de mais valia relativa do crime.
A hipocrisia congênita que grassa nas relações sociais e na ação individual, egoísta, voltada à satisfação de desejos pessoais apenas, desvela a crua realidade do Brasil nesse início de século. A crise moral e o embotamento ético não permite as pessoas discernirem com sabedoria a complexidade dos processos sociais vigentes. As instituições são míopes em suas ações, porque seu foco é sempre sua missão organizacional, não conseguem articular um projeto de nação que crie condições de convivência fraterna, antes ajem de forma a estimular a economia da violência, a sociedade da tragédia, a filosofia do vale tudo, do arrivismo e desrespeito a tudo que seria de todos, o patrimônio público.
A ética vigente sustenta-se no patrimonialismo mais adoecido que história recente desse país pode desenvolver, alicerçada no clientelismo, na apropriação de setores do Estado por grupos privados, ligados a interesses partidários que, por sua vez, vinculam-se aos mais escusos interesses da economia, sustentados no mais completo desrespeito à nação e ao povo. O caráter anal dos banqueiros, o sanguesuguismo de políticos sem ideologia e burocratas que, cotidianamente, desmerecem o direito de servir ao público.
A lógica vigente é a do combate pelo combate, da repressão pela repressão, do castigo pelo castigo. O Brasil é um país sem visão de futuro. A família brasileira não consegue planejar o futuro da nação brasileira. A juventude que irá assumir o comando desse país está sendo adestrada num ambiente violento, drogado, sem amor a si e nem ao próximo, quanto mais ao seu país.
A criminalidade no DF, é combatida pela polícia, que apresenta significativo êxito em muitas ações. Mas isso não significa que ela diminui expressivamente. Apenas migra de uma área para outra. O criminoso busca sua vítima onde ela estiver. Isso significa que a população precisa, além de ficar bem mais atenta no seu dia a dia, cobrar mais eficiência do Estado. A sociedade precisa exigir que a polícia esteja mais presente, que seja mais treinada, reciclada profissionalmente. De nada adianta a polícia aparecer depois que o crime aconteceu.
Um trágico exemplo foi o assassinato do diretor de uma escola pública no Lago Oeste por traficantes. O crime já estava agendado, os bandidos só esperavam o melhor momento. A comunidade local sabe quem são os traficantes, é de domínio público, mas a polícia não toma providências e nem age preventivamente. Continuam lá traficando, apenas foram presos os assassinos confessos. A PM colocou lá uma viatura, até quando ela lá ficará? Qual a eficácia dessa medida? Quando a polícia vai fazer uma devassa na região e extirpar de vez os traficantes?
Assim ocorre em todas as áreas, a polícia chega depois. As autoridades reclamam das reais dificuldades, mas e a população? Ela não paga seus impostos, não contribuiu às duras penas, sofrendo cobranças, pagando multas pesadas etc? Onde está o cerne do problema: na ineficiência do Estado ou no comportamento da sociedade? Na prática há uma transferência de responsabilidades. É sempre um culpando o outro. O ciclo vicioso se reproduz, intensificando sua estruturação, tornando cada vez mais difícil resolver os problemas de segurança pública que, diga-se de passagem, não é um problema meramente policial, é de toda a sociedade e de todo o Estado. Mas como romper as amarras do ciclo vicioso, se a ineficiência dos gastos públicos é uma realidade e se os políticos só querem mostrar resultados imediatos, maquiados, na maior parte das vezes, por vivem em estado pré eleitoral. Não são servidores públicos, antes servem-se do público, e o público aceita. Essa é a grande tragédia brasileira: a subserviência do público ao Estado que, por sua vez, continua capturado por setores privados somente interessados em beneficiar a si próprios e seus aliados.
Marketing esportivo, Uma estratégia para o desenvolvimento
No Brasil, a percepção do mercado esportivo ainda é muito amadora. Além disso, é muito fragmentada e não há convergência entre os setores públicos e privados sobre o potencial dos negócios esportivos.
O esporte, mesmo em setores profissionalizados, é tratado com clientelismo e os investimentos feitos com recursos públicos caem sempre na vala comum dos fundos perdidos e o retorno, tanto social como negocial, é sempre pífio.
Os dirigentes desportivos brasileiros, em sua quase totalidade, não conseguem analisar o potencial do mercado desportivo, como um ambiente para investimento com a lógica capitalista competitiva.
Ao contrário, suas ações denotam, quase sempre, interesses pessoais/grupais, sobrepujando interesses coletivos que, atendidos, resultariam em crescimento econômico no setor desportivo e mudanças, para melhor, no funcionamento das instituições ligadas ao esporte.
O Estado, por sua vez, percebe e trata o esporte com ações compensatórias e conjunturais. Não existem objetivos estratégicos. Tampouco os investimentos públicos são canalizados para um projeto de longo prazo, com vistas a tornar o país um bom ambiente para os negócios do esporte, criando oportunidades para a geração de empregos e renda.
Com raras exceções, os mais variados setores esportivos brasileiros sobrevivem de favores, de patrocínios esporádicos e não conseguem se desenvolver pela incapacidade estrutural de se auto gerenciarem e criarem a riqueza necessária para movimentar economicamente suas modalidades esportivas.
O questionamento sobre a visível miopia estratégica de marketing do Estado brasileiro é crescente. Exemplos bem sucedidos como a aliança entre o Banco do Brasil e o Voleibol, os Correios e o futebol de salão, deveriam ser ampliados para setores esportivos promissores, não apenas canalizados para o sistema olímpico. Essas parcerias deveriam contemplar também segmentos que poderiam gerar novos micro mercados esportivos, com eventos e circuitos competitivos capazes de mobilizar uma cadeia produtiva específica.
Viabilizando a participação de novos fornecedores e consumidores de serviços e produtos próprios para a dinamização do micro setor, gerando riqueza setorial, emprego, renda e estimulando o consumo em todos os níveis, sobretudo no merchandising e no aprofundamento das relações com o consumidor.
Para tanto, a mídia deveria diversificar sua pauta, abrindo espaço para novos esportes. Isso só ocorre no capitalismo midiático se houver a formatação e dinamização de novos mercados consumidores e estimuladores de novos investimentos, ampliando a demanda por ações de comunicação estratégica.
O fenômeno norte americano do Ultimate Fithing – UFC e o K1 japonês, são bons exemplos de novos setores esportivos que mobilizam uma complexa e diversificada cadeia produtiva voltada para o espetáculo de lutas. O sucesso de mídia é significativo, e, economicamente, movimenta expressivas somas, oriundas dos negócios que ocorrem nas cadeias produtivas mobilizadas pelos eventos.
O negócio esportivo é um grande alavancador de riquezas nesse século, mas precisará ser gerenciado profissionalmente, tanto pelo setor público, que deveria ter motivação estratégica, de Estado, como pelo privado, que usufrui das benesses dos investimentos públicos. No entanto, na prática,esse processo ocorre desordenadamente.
A demanda pela diversificação do mercado esportivo é patente, mas a hegemonia continua com o futebol, o voleibol, o automobilismo e alguns outros importantes setores do mercado desportivo internacional.
Não se trata de desviar o foco desses segmentos, ao contrário, é necessário ampliar o foco das lentes até torná-las capazes de analisar estrategicamente os vários setores esportivos, ainda desmerecedores da devida atenção pública e privada.
O Brasil, com toda sua diversidade e desigualdade, apresenta um imenso potencial para desenvolver o mercado esportivo e corrigir desequilíbrios estruturais que penalizam sobretudo os segmentos mais jovens de nossa sociedade. Novos mercados esportivos dinamizados poderiam ocupar a força de trabalho juvenil, criativa e carente de oportunidades para construir seu futuro. Daí, a abrangência estratégica da questão e a reafirmação de que o esporte não pode ser tratado como política pública compensatória e amortecedora de desigualdades. É necessário inverter o foco e tornar a ação pública orientadora para a transformação dessa condição. O esporte é, sim, uma alternativa para a construção de um estilo de vida saudável e enriquecedor, por isso, merece uma atenção especial de todos.
É fundamental que essa mentalidade gerencial amadora e sem visão de futuro se transforme em ações estratégicas e capazes de fomentar a economia desportiva setorialmente, estimulando novos agentes produtores e consumidores de serviços a atuarem nesses potenciais novos mercados.
Esse é um desafio de todos os municípios brasileiros e também dos governos estaduais e do governo federal. E da iniciativa privada, que precisa ampliar seu relacionamento com a sociedade, para gerar condições de novos e lucrativos negócios.
Mas é preciso também que os setores interessados se mobilizem e pressionem, não só o poder público, mas convença a iniciativa privada, de que o esporte é um grande e lucrativo negócio, desde que gerenciado corretamente. O esporte não precisa apenas de ajuda compensatória, antes demanda ações objetivas e investimentos necessários para a adequada formatação de mercados com as várias cadeias produtivas atuando integradamente.
Nesse ponto, o Brasil está patinando ainda, são incipientes as iniciativas, não obstante os desafios colocados: a Copa do Mundo de