Uma das questões mais importantes no atual mundo dos negócios corporativos é a da Gestão por Competências. Essa discussão é recente e está crescendo tanto no universo acadêmico, quanto no âmbito interno das corporações, públicas e privadas. As recentes transformações decorrentes das inovações tecnológicas, das novas demandas ambientais e consequentes alterações comportamentais, em todos os níveis da sociedade, nos remetem a uma mudança de paradigma. Isto significa que a maior parte dos procedimentos gerenciais que dirigiram as organizações até o presente, não garante sucesso futuro.
As mudanças acontecem estruturalmente e faz com que as organizações se adaptem com uma velocidade muito grande, requerendo um nível acentuado de flexibilidade, que pode ser traduzido na capacidade de adaptação às novas demandas. Essas condições exigem redirecionamento de foco por parte das pessoas e das organizações. O novo ambiente competitivo já não consegue incorporar modelos comportamentais e gerenciais reativos, baseados na tradição histórica e em condições de atuação mais amenas.
Os modelos tradicionais de gestão organizacional e pessoal baseavam-se em paradigmas lineares e no crescimento contínuo; quando aconteciam mudanças, eram gerenciadas com base no conhecimento acumulado e aplicado conforme expectativas do mercado.
Atualmente, as pessoas precisam e as organizações precisam criar novos modelos e formas de aplicação de saberes que não são desenvolvidos por intermédio dos sistemas formais de ensino; ao contrário, o conhecimento demandado está numa síntese das várias inteligências humanas, do acúmulo de experiências de vida e de todo saber aplicado em novas tecnologias, para formatação de produtos e serviços competitivos.
Essas inovações são disponibilizadas ao mercado de consumo com o objetivo de atender necessidades individualizadas e sofisticadas, conforme o gosto, a necessidade e as condições de cada consumidor.
No que se refere ao sucesso das organizações, que visam resultados e deles dependem para sobreviver em ambientes hipercompetitivos, a questão humana é decisiva. Nunca foi tão importante a convergência de expectativas individuais e organizacionais, ou seja: o problema do gerenciamento de pessoas no âmbito interno às organizações é estratégico e precisa ser administrado de forma a valorizar todos os aspectos que possam alavancar negócios. É muito difícil gerenciar esses novos aspectos, mas as organizações que investirem na criatividade, no reposicionamento de valores de sua cultura, na motivação para o sucesso, de forma a permitir que as pessoas possam ver no sucesso organizacional o seu próprio sucesso, seguramente, serão líderes nesse novo ambiente de negócios.
A Gestão por Competências está diretamente vinculada aos novos desafios e negócios da organização/empresa. Primeiro é preciso definir ou redefinir o negócio da organização/empresa, que públicos pretende atender, que relacionamento quer desenvolver com sua clientela; com que velocidade e que quantum de valor agregado pretende competir em cada mercado. Após essas definições necessita definir o perfil humano/organizacional e preparar seu pessoal para apresentar as competências essenciais e vitais para o sucesso organizacional.
Esse é um momento muito interessante no ambiente de negócios, pois mais do que em outros períodos, os valores organizacionais, precisam ser transformados em valores individuais, para reforçar a cultura organizacional e motivar o indivíduo, convergindo o objetivo profissional com a missão organizacional.
O imperativo da flexibilidade organizacional está diretamente vinculado ao processo de Gestão por Competências e isso revela um aspecto inovador no ambiente de trabalho: as relações humanas tendem a ser gerenciadas para a produção de resultados, por meio da ação de equipes interdisciplinares que atuarão em ambientes diversos, sob diferentes formas relacionais e submetidas a regras de poder bem definidas e diferenciadas. Esse ambiente é fascinante porque desafia a inteligência humana a desenvolver mecanismos gerenciais e formas relacionais mais proativas e enriquecedoras, em todos os sentidos.
Na área pública, a problemática da Gestão por Competências é crítica e tende a se tornar mais grave se não houver uma mudança de paradigma gerencial. As interferências políticas, o fisiologismo e o clientelismo têm sido componentes de uma síndrome do fracasso gerencial público no Brasil. Sobretudo em empresas públicas que atuam em setores estratégicos da economia, nas quais deveriam prevalecer aspectos técnicos no planejamento e na gestão, essas características são marcantes e estão subordinadas à lógica do “aparelhamento do Estado”.
Sabe-se que todas as mudanças nas relações das empresas com a sociedade deveriam, pelo menos essa é a expectativa mais incisiva, convergir para o melhoramento da qualidade dos serviços prestados. Isso poderia proporcionar uma interação mais profunda com a sociedade e dinamizar a democracia, no que tange a direitos e deveres, minimizando o clientelismo e fortalecendo aspectos profissionais.
Essa nova realidade exige alterações no comando das organizações e no foco estratégico da ação pública, por isso é vital às organizações estatais fazerem uma reflexão sobre a problemática da Gestão por Competências e valorizar a capacitação, a disposição para a ação proativa, o comprometimento com o bem comum e o sucesso organizacional. Uma nova cidadania poderá ser construída, a partir da interação mais profunda e comprometida entre empresa e sociedade, exigindo das pessoas um nível de comprometimento mais rigoroso e um projeto de vida que passe pelo interesse social. Esse é o desafio maior da Gestão por Competências: promover o bem comum e valorizar o cidadão.
Blog do TESTA
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
ANÁLISE DO PROCESSO DE REGULAMENTAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO DE INTERESSES (LOBBY) NO BRASIL
A REPRESENTAÇÃO DE INTERESSES DIVERSOS NO ÂMBITO DO PARLAMENTO.
É importante esclarecer que a defesa legítima de interesses sociais, políticos e econômicos, não pode ser confundida com tráfico de influência ou corrupção.
Sabe-se que as modernas sociedades complexas se organizam em torno dos mais variados estilos de vida, que dão identidade própria a grupos sociais específicos e também a grupos políticos e econômicos que, para viabilizarem seus interesses legítimos junto àqueles que legislam e regulamentam o funcionamento de setores da economia e da sociedade, mediante a elaboração e a aplicação de leis, se organizam e exercitam o democrático direito de pressionar os sistemas de governo para viabilizarem seus interesses.
É exatamente a partir da articulação desses interesses diversos que a negociação se estabelece nos vários ambientes políticos , para estabelecer o consenso e promover o equilíbrio sistêmico, ainda que circunstancial, entre seus componentes .
Evidentemente o entendimento dessa dinâmica exige rigor analítico e capacidade de compreensão das mais variadas motivações individuais e coletivas.
Uma democracia se consolida em decorrência do embate legítimo entre forças sociais, políticas, culturais e econômicas, buscando estabelecer o consenso, mediante a negociação política;
Tornando o sistema político mais flexível e ajustável às demandas sociais e à pressão política exercida pelas organizações que representam interesses sociais diversos.
O aprofundamento da democracia exige, de cada agente envolvido nas disputas, prévio conhecimento das regras de funcionamento e do processo decisório, que se baseia, antes de tudo, no acompanhamento das negociações em todas as esferas de governo. Mas o parlamento é o mais transparente, mais fiscalizado e também o mais adequado para iniciar as discussões em torno da governabilidade.
É exatamente nesse momento que a sociedade e o estado começam as negociações para definir regras de funcionamento dos mais variados setores econômicos e estabelecem normas para o entendimento entre os diferentes grupos sociais, produzindo uma dinâmica relacional democrática, na qual os conflitos sociais tendem a se diluir em torno do consenso e do entendimento.
Entender que interesses dos mais diversos setores da sociedade precisam ser representados legítima e abertamente é aceitar, antes de tudo, conviver com representantes de interesses contraditórios.
Mas isso é inerente à cultura democrática e é, acima de tudo, salutar para todos, democratas.
Por isso, é necessária a regulamentação de ações organizadas em torno de interesses privados, para promover o bem comum. O bem estar coletivo depende do adequado funcionamento das instâncias defensoras de interesses públicos e privados.
Somente com a regulamentação dessas ações será possível conter o tráfico de influência e a nociva ação corporativista, que tanto desequilíbrio social causa. Ao analisarmos o processo de intermediação de interesses em outros países, constatamos que muitos já regulamentaram essa atividade. Segundo informações da própria Associação Brasileira De Comunicação Empresarial - ABERJE, na palavra de seu ex-presidente, o prof. Paulo Nassar, “EUA, União Européia e parte da América Latina têm mecanismos reguladores da atividade de lobby. Mas o Brasil, ainda não tem”.
O lobby nos EUA tem a Federal Regulation of Lobbying Act of 1946, que o regulamenta. Essa lei foi atualizada em 1995 em conseqüência de uma grande crise ética, que envolveu alguns membros e vários funcionários do congresso e do executivo norte americano. Além da lei federal, cada estado e muitos municípios têm legislações próprias, que dão transparência às relações com o poder.
Nos EUA, a profissão de lobista é regulamentada e quem faz lobby têm que seguir regras específicas, para se relacionar com parlamentares. Os lobistas cumprem o que manda a lei: informam ao senado ou à câmara sobre suas atividades, gastos e projetos que tentaram influenciar.
A União Européia discutiu em profundidade a atividade de lobby e adotou príncipios gerais para a conduta dos lobistas. Em 2006, introduziu o “Green Paper on a European Transparency Initiative”, oferecendo mais transparência e regras definidas para os 15 mil lobistas, ONGs e outros grupos que pretendiam influenciar os decisores na União Européia.
Ao mesmo tempo, o tema foi debatido amplamente em audiências públicas. Na América Latina, alguns de nossos vizinhos como Argentina, Chile, México, Colômbia, México e Peru têm leis de lobby ou de ética pública. O Brasil precisa colocar entre suas prioridades a regulamentação do lobby, de forma a atingir toda a administração pública federal, executivo, agências reguladoras, estatais, legislativo e judiciário, que deverá ser parâmetro para ser aplicado aos estados, capitais e municípios diferenciadamente.
A regulamentação deverá abranger os setores públicos e privados, o terceiro setor, os sindicatos, as associações, as confederações, as empresas, as consultorias, etc. O fundamental é que, pela regulamentação, se possa identificar quem representa quem, quais são os interesses em jogo no processo de elaboração das políticas públicas e identificar se existe ou não abuso de poder, e garantir o controle e a transparência dos gastos diretos e indiretos envolvidos nesse trabalho.
Lobby só existe em democracias! São atividades legítimas, lícitas e necessárias. Quando bem exercidas, fortalecem os sistemas democráticos de governança e governabilidade.
A discussão sobre a regulamentação da atividade do lobby no Brasil tem ocorrido esparsamente, não obstante a sua real necessidade de formalização.
Iniciativas pioneiras como a do ex-Senador Marco Maciel que, ainda em 1990, propôs e aprovou no Senado, o projeto de lei no. 203/90, com o objetivo de estabelecer exigências simples como registro, a prestação de contas à receita federal e disciplinar o desenvolvimento das atividades de intermediação de interesses.
Além dessa proposta, tramita na câmara dos deputados o projeto de lei no. 1207/07, do deputado federal Carlos Zaratini, desde 2008, quando foi aprovada pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público.
Também foi realizado, no âmbito da controladoria geral da união, seminário para promover o debate sobre a criação de regras e limites para a prática do lobby, a partir dos modelos já existentes em alguns países e de propostas contidas em diversos projetos de lei sobre o assunto que tramitam no congresso.
A regulamentação do lobby pressupõe a discussão de algumas questões fundamentais: quais as atividades configuram esse tipo de atividade e seus limites éticos; até que ponto o lobby é legítimo e quando se torna ato ilícito; quem deve ser considerado lobista e qual o papel de grupos de interesse, sindicatos, organizações não governamentais, associações, conselhos profissionais, partidos políticos, escritórios de advocacia, empresas, atores internacionais e indivíduos; qual deve ser o nível de transparência do lobby, bem como o registro e o controle dessa atividade.
Segundo a opinião do ministro chefe da CGU, Dr. Jorge Hage, a pior maneira de tratar o lobby é fazer de conta que ele não existe: “isso acaba por transformar o lobby em atividade clandestina, que se desenvolve nas sombras, e acaba descambando para o campo do ilícito, aparecendo apenas em sua forma criminosa, captada nas interceptações telefônicas da investigação policial”.
O Ministro Hage enfatiza que é preciso mudar essa atuação e regulamentar a atividade, de modo que ela se desenvolva às claras, com toda a transparência possível e dentro de regras e limites do conhecimento de todos. Isto porque se o lobby é a defesa de interesses, faz parte do jogo democrático, desde que obedeça a regras iguais para todos, de conhecimento de todos, e que respeite limites éticos, também do conhecimento público.
Sobre o mérito da questão da regulamentação é fundamental entender a relação do parlamentar com a sociedade e seus agentes políticos e econômicos.
O parlamentar, no exercício pleno de seu mandato, necessita ouvir não apenas seus eleitores. Mas, para melhor atender seu eleitorado, precisa apreender a essência das disputas de interesses que interferem no processo decisório e cujos resultados podem beneficiar ou prejudicar interesses para o qual foi eleito, que são os compromissos com sua sociedade e seu estado.
Ouvir a sociedade com competência política e gerencial requer do eleitorado um nível organizacional crescente. Para tanto, surgem as mais variadas organizações e movimentos sociais, políticos e até econômicos que pressionam o parlamentar para decidir de forma, se não a beneficiar, não prejudicar seus interesses.
Esse é um relacionamento muitas vezes difícil e tenso, exigindo do parlamentar uma postura republicana, profissional e transparente. Ou seja, sua posição deve ser clara e conhecida sobre os mais variados temas com os quais seu mandato o obriga a tratar.
Portanto, regulamentar a atividade legítima do lobby é uma exigência que o próprio amadurecimento do sistema político brasileiro apresenta.
E é urgente que o congresso delibere sobre isso, para acompanhar a dinâmica da economia e não ficar defasado e nem frustrar a sociedade, que tanto anseia por um desempenho do parlamento compatível com suas expectativas.
Por outro lado, é preciso considerar a impossibilidade de o parlamentar ouvir todos os cidadãos individualmente, não obstante o poder das redes sociais e o esforço que faz para se manter conectado com seu eleitor.
Mas para a decisão sobre seu posicionamento político relativo às mobilizações sociais organizadas é preciso se relacionar com representantes profissionais e competentes, para esclarecer sobre os interesses que representa e seu impacto no processo decisório.
Diante de todo esse arrazoado em torno de tão relevante tema, que nos remete a uma profunda reflexão sobre as relações entre os interesses público e privado.
E as questões centrais da cidadania numa democracia participativa e atuante como a que vivenciamos no Brasil, é fundamental que aprofundemos essa discussão sobre a regulamentação da representação de interesses (lobby) no Brasil.
Somente assim poderemos construir uma sociedade mais fraterna e igualitária, no que se refere a direitos e deveres, além do acesso às benesses que a economia pode gerar e a política distribuir.
É importante esclarecer que a defesa legítima de interesses sociais, políticos e econômicos, não pode ser confundida com tráfico de influência ou corrupção.
Sabe-se que as modernas sociedades complexas se organizam em torno dos mais variados estilos de vida, que dão identidade própria a grupos sociais específicos e também a grupos políticos e econômicos que, para viabilizarem seus interesses legítimos junto àqueles que legislam e regulamentam o funcionamento de setores da economia e da sociedade, mediante a elaboração e a aplicação de leis, se organizam e exercitam o democrático direito de pressionar os sistemas de governo para viabilizarem seus interesses.
É exatamente a partir da articulação desses interesses diversos que a negociação se estabelece nos vários ambientes políticos , para estabelecer o consenso e promover o equilíbrio sistêmico, ainda que circunstancial, entre seus componentes .
Evidentemente o entendimento dessa dinâmica exige rigor analítico e capacidade de compreensão das mais variadas motivações individuais e coletivas.
Uma democracia se consolida em decorrência do embate legítimo entre forças sociais, políticas, culturais e econômicas, buscando estabelecer o consenso, mediante a negociação política;
Tornando o sistema político mais flexível e ajustável às demandas sociais e à pressão política exercida pelas organizações que representam interesses sociais diversos.
O aprofundamento da democracia exige, de cada agente envolvido nas disputas, prévio conhecimento das regras de funcionamento e do processo decisório, que se baseia, antes de tudo, no acompanhamento das negociações em todas as esferas de governo. Mas o parlamento é o mais transparente, mais fiscalizado e também o mais adequado para iniciar as discussões em torno da governabilidade.
É exatamente nesse momento que a sociedade e o estado começam as negociações para definir regras de funcionamento dos mais variados setores econômicos e estabelecem normas para o entendimento entre os diferentes grupos sociais, produzindo uma dinâmica relacional democrática, na qual os conflitos sociais tendem a se diluir em torno do consenso e do entendimento.
Entender que interesses dos mais diversos setores da sociedade precisam ser representados legítima e abertamente é aceitar, antes de tudo, conviver com representantes de interesses contraditórios.
Mas isso é inerente à cultura democrática e é, acima de tudo, salutar para todos, democratas.
Por isso, é necessária a regulamentação de ações organizadas em torno de interesses privados, para promover o bem comum. O bem estar coletivo depende do adequado funcionamento das instâncias defensoras de interesses públicos e privados.
Somente com a regulamentação dessas ações será possível conter o tráfico de influência e a nociva ação corporativista, que tanto desequilíbrio social causa. Ao analisarmos o processo de intermediação de interesses em outros países, constatamos que muitos já regulamentaram essa atividade. Segundo informações da própria Associação Brasileira De Comunicação Empresarial - ABERJE, na palavra de seu ex-presidente, o prof. Paulo Nassar, “EUA, União Européia e parte da América Latina têm mecanismos reguladores da atividade de lobby. Mas o Brasil, ainda não tem”.
O lobby nos EUA tem a Federal Regulation of Lobbying Act of 1946, que o regulamenta. Essa lei foi atualizada em 1995 em conseqüência de uma grande crise ética, que envolveu alguns membros e vários funcionários do congresso e do executivo norte americano. Além da lei federal, cada estado e muitos municípios têm legislações próprias, que dão transparência às relações com o poder.
Nos EUA, a profissão de lobista é regulamentada e quem faz lobby têm que seguir regras específicas, para se relacionar com parlamentares. Os lobistas cumprem o que manda a lei: informam ao senado ou à câmara sobre suas atividades, gastos e projetos que tentaram influenciar.
A União Européia discutiu em profundidade a atividade de lobby e adotou príncipios gerais para a conduta dos lobistas. Em 2006, introduziu o “Green Paper on a European Transparency Initiative”, oferecendo mais transparência e regras definidas para os 15 mil lobistas, ONGs e outros grupos que pretendiam influenciar os decisores na União Européia.
Ao mesmo tempo, o tema foi debatido amplamente em audiências públicas. Na América Latina, alguns de nossos vizinhos como Argentina, Chile, México, Colômbia, México e Peru têm leis de lobby ou de ética pública. O Brasil precisa colocar entre suas prioridades a regulamentação do lobby, de forma a atingir toda a administração pública federal, executivo, agências reguladoras, estatais, legislativo e judiciário, que deverá ser parâmetro para ser aplicado aos estados, capitais e municípios diferenciadamente.
A regulamentação deverá abranger os setores públicos e privados, o terceiro setor, os sindicatos, as associações, as confederações, as empresas, as consultorias, etc. O fundamental é que, pela regulamentação, se possa identificar quem representa quem, quais são os interesses em jogo no processo de elaboração das políticas públicas e identificar se existe ou não abuso de poder, e garantir o controle e a transparência dos gastos diretos e indiretos envolvidos nesse trabalho.
Lobby só existe em democracias! São atividades legítimas, lícitas e necessárias. Quando bem exercidas, fortalecem os sistemas democráticos de governança e governabilidade.
A discussão sobre a regulamentação da atividade do lobby no Brasil tem ocorrido esparsamente, não obstante a sua real necessidade de formalização.
Iniciativas pioneiras como a do ex-Senador Marco Maciel que, ainda em 1990, propôs e aprovou no Senado, o projeto de lei no. 203/90, com o objetivo de estabelecer exigências simples como registro, a prestação de contas à receita federal e disciplinar o desenvolvimento das atividades de intermediação de interesses.
Além dessa proposta, tramita na câmara dos deputados o projeto de lei no. 1207/07, do deputado federal Carlos Zaratini, desde 2008, quando foi aprovada pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público.
Também foi realizado, no âmbito da controladoria geral da união, seminário para promover o debate sobre a criação de regras e limites para a prática do lobby, a partir dos modelos já existentes em alguns países e de propostas contidas em diversos projetos de lei sobre o assunto que tramitam no congresso.
A regulamentação do lobby pressupõe a discussão de algumas questões fundamentais: quais as atividades configuram esse tipo de atividade e seus limites éticos; até que ponto o lobby é legítimo e quando se torna ato ilícito; quem deve ser considerado lobista e qual o papel de grupos de interesse, sindicatos, organizações não governamentais, associações, conselhos profissionais, partidos políticos, escritórios de advocacia, empresas, atores internacionais e indivíduos; qual deve ser o nível de transparência do lobby, bem como o registro e o controle dessa atividade.
Segundo a opinião do ministro chefe da CGU, Dr. Jorge Hage, a pior maneira de tratar o lobby é fazer de conta que ele não existe: “isso acaba por transformar o lobby em atividade clandestina, que se desenvolve nas sombras, e acaba descambando para o campo do ilícito, aparecendo apenas em sua forma criminosa, captada nas interceptações telefônicas da investigação policial”.
O Ministro Hage enfatiza que é preciso mudar essa atuação e regulamentar a atividade, de modo que ela se desenvolva às claras, com toda a transparência possível e dentro de regras e limites do conhecimento de todos. Isto porque se o lobby é a defesa de interesses, faz parte do jogo democrático, desde que obedeça a regras iguais para todos, de conhecimento de todos, e que respeite limites éticos, também do conhecimento público.
Sobre o mérito da questão da regulamentação é fundamental entender a relação do parlamentar com a sociedade e seus agentes políticos e econômicos.
O parlamentar, no exercício pleno de seu mandato, necessita ouvir não apenas seus eleitores. Mas, para melhor atender seu eleitorado, precisa apreender a essência das disputas de interesses que interferem no processo decisório e cujos resultados podem beneficiar ou prejudicar interesses para o qual foi eleito, que são os compromissos com sua sociedade e seu estado.
Ouvir a sociedade com competência política e gerencial requer do eleitorado um nível organizacional crescente. Para tanto, surgem as mais variadas organizações e movimentos sociais, políticos e até econômicos que pressionam o parlamentar para decidir de forma, se não a beneficiar, não prejudicar seus interesses.
Esse é um relacionamento muitas vezes difícil e tenso, exigindo do parlamentar uma postura republicana, profissional e transparente. Ou seja, sua posição deve ser clara e conhecida sobre os mais variados temas com os quais seu mandato o obriga a tratar.
Portanto, regulamentar a atividade legítima do lobby é uma exigência que o próprio amadurecimento do sistema político brasileiro apresenta.
E é urgente que o congresso delibere sobre isso, para acompanhar a dinâmica da economia e não ficar defasado e nem frustrar a sociedade, que tanto anseia por um desempenho do parlamento compatível com suas expectativas.
Por outro lado, é preciso considerar a impossibilidade de o parlamentar ouvir todos os cidadãos individualmente, não obstante o poder das redes sociais e o esforço que faz para se manter conectado com seu eleitor.
Mas para a decisão sobre seu posicionamento político relativo às mobilizações sociais organizadas é preciso se relacionar com representantes profissionais e competentes, para esclarecer sobre os interesses que representa e seu impacto no processo decisório.
Diante de todo esse arrazoado em torno de tão relevante tema, que nos remete a uma profunda reflexão sobre as relações entre os interesses público e privado.
E as questões centrais da cidadania numa democracia participativa e atuante como a que vivenciamos no Brasil, é fundamental que aprofundemos essa discussão sobre a regulamentação da representação de interesses (lobby) no Brasil.
Somente assim poderemos construir uma sociedade mais fraterna e igualitária, no que se refere a direitos e deveres, além do acesso às benesses que a economia pode gerar e a política distribuir.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Estratégias Empresariais e competitividade
“As empresas, principalmente, as de grande porte, precisam ter um modelo de gerenciamento que dê a elas mais agilidade, para que possam se posicionar adequadamente no mercado”. Esse foi um dos apontamentos feitos pelo Professor e Consultor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Antônio Flávio Testa, durante entrevista ao Portal IB Consulting/FGV. Ele esteve em Palmas recentemente, para ministrar o módulo de “Estratégia de Empresas”, no MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria, do convênio IB Consulting/FGV.
De acordo com o professor, na administração estratégica, o modelo mais adotado é o Balanced Scorecard, uma metodologia gestão de desempenho desenvolvida por professores da Harvard Business School, baseada em quatro perspectivas que refletem a visão e estratégia empresarial: financeira, clientes, processos internos, aprendizado e crescimento.
“A dificuldade é mudar o modelo mental da maioria das empresas que ainda é muito conservador, tradicional e mecânico, para um modelo mais flexível, dinâmico e mais digital”. Antônio Flávio pontua que essas mudanças já estão acontecendo, mas ainda de forma desigual. “Porque depende do setor da economia, da empresa, da Cultura Organizacional e, principalmente, depende da pessoa que está querendo participar dos negócios da empresa”.
Outra forte estratégia empresarial é a observada por W. Chan Kim e Renée Mauborgne: “Estratégia do Oceano Azul”. “O mercado tende à estagnação, por conta da imitação. É mais fácil imitar quem está fazendo sucesso do que inovar. E na Estratégia do Oceano Azul você procura nichos que ainda não estão saturados, você inova, procura ver aquilo que ainda não é oferecido e começa a oferecer. Se você conseguir fazer isso, ficará como líder daquele segmento”, diz o professor.
O FOCO ESTÁ NAS PESSOAS
Empresas são pessoas reunidas em torno de um mesmo objetivo e esse objetivo é o que os especialistas chamam de “missão”; o que a empresa faz, para quem faz e como faz. E o mercado também é feito de pessoas, que buscam satisfazer suas necessidades de consumo. Para o professor Antônio Flávio, estar atento a isso é o que pode estabelecer o sucesso da empresa e também do profissional. “O jogo é um jogo entre pessoas e as formas de satisfazer suas necessidades de consumo”, acrescenta.
O professor chama a atenção para uma transição que vem acontecendo na Cultura Organizacional, dentro das empresas, no ambiente interno. “É a lógica do controle para o comprometimento. As pessoas têm, necessariamente, que ser mais comprometidas com o resultado das empresas. E como você vai fazer isso, que tipo de modelo de gestão vai adotar é um ponto que precisa ser observado”, afirma.
As empresas precisam investir não somente em treinamentos técnicos, mas em descobrir o melhor que cada colaborador pode oferecer, é o que aponta o professor. “Realmente é um processo muito difícil. E enquanto não estiver muito bem definido aonde a empresa quer chegar e o que ela quer fazer, de fato, ela não conseguirá extrair das pessoas, o seu melhor”.
Por outro lado, os colaboradores também precisam fazer a sua parte. “As pessoas querem ter emprego, mas só conseguirão aqueles que fizerem a diferença, que derem contribuição decisiva. Se você oferecer para a empresa aquilo que qualquer pessoa oferece, não tem porque ela te aceitar. O seu valor de mercado vai ser dividido por todos que fazem a mesma coisa”.
E como dica para a realidade empresarial no Tocantins, o professor diz que é preciso estar atento às demandas do mercado regional, que estará sempre em busca de profissionais qualificados e bem preparados. “Essas pessoas serão cada vez mais procuradas. E a recomendação que eu dou é que elas procurem conhecer a economia regional, escolher uma área específica em que conheçam os atores econômicos, políticos, o processo decisório daquele setor e se tornem uma referência”.
E completa: “Além de obter sucesso profissional, poderão, assim, dar uma contribuição significativa para a sua sociedade, gerando riqueza e bem estar para todos”.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
É preciso acabar com 'saidão' de presos, diz cientista político sobre sequestro em Brasília
Paula Laboissière
Da Agência Brasil
Criminosos se entregam, e termina sequestro que manteve quatro mulheres reféns em Brasília
O sequestro ocorrido hoje (14) na região central de Brasília era praticamente um crime anunciado, de acordo com o cientista político Antônio Flávio Testa. Em entrevista à Agência Brasil, ele lembrou que a capital federal já sofre há algum tempo com o aumento da violência e defendeu alterações legislativas que acabem, por exemplo, com o chamado 'saidão' [de presos das cadeias].
O crime aconteceu depois de uma tentativa frustrada de assalto que resultou na invasão de uma casa onde estavam quatro mulheres. Adelino de Souza Porto, um dos assaltantes, cumpriu 28 anos de prisão e fugiu durante a última saída de presos. Já Bruno Leonardo Vieira da Cruz cumpria quatro anos de pena e estava em liberdade condicional, segundo a Polícia Militar (PM).
Para o cientista político, o sequestro chamou a atenção de grande parte do país por ter ocorrido na capital federal e por envolver pessoas que já haviam sido condenadas pela Justiça. Para ele, o benefício da saída precisa ser revisto porque causa prejuízos à população, custos financeiros ao Estado e não promove a ressocialização dos presos.
“A própria polícia denuncia isso. Lembro de um caso em São Paulo de policiais alertando que iriam sair milhares de condenados e que muitas pessoas seriam vítimas de homicídios, sequestros e violências físicas. É uma medida que não promove a ressocialização, tem um custo financeiro altíssimo e coloca a população como refém.”
De acordo com Testa, a região do entorno do Distrito Federal já configura como uma das mais violentas do país e demonstra o problema da falta de jurisdição e de definição de responsabilidades em áreas de fronteiras –sejam elas municipais, estaduais ou mesmo federais.
“Passa a ser uma terra sem lei, que fica por conta do interesse dos traficantes, dos assaltantes e das quadrilhas. Torna-se um ambiente muito mais vulnerável e facilita a ação dos criminosos”, disse Testa. “O crime tem uma grande vantagem sobre o Estado porque não tem jurisdição, trabalha 24 horas, não é burocrático e ocorre de forma planejada e aleatória, tornando mais difícil ações de combate e prevenção”, finaliza.
Da Agência Brasil
Criminosos se entregam, e termina sequestro que manteve quatro mulheres reféns em Brasília
O sequestro ocorrido hoje (14) na região central de Brasília era praticamente um crime anunciado, de acordo com o cientista político Antônio Flávio Testa. Em entrevista à Agência Brasil, ele lembrou que a capital federal já sofre há algum tempo com o aumento da violência e defendeu alterações legislativas que acabem, por exemplo, com o chamado 'saidão' [de presos das cadeias].
O crime aconteceu depois de uma tentativa frustrada de assalto que resultou na invasão de uma casa onde estavam quatro mulheres. Adelino de Souza Porto, um dos assaltantes, cumpriu 28 anos de prisão e fugiu durante a última saída de presos. Já Bruno Leonardo Vieira da Cruz cumpria quatro anos de pena e estava em liberdade condicional, segundo a Polícia Militar (PM).
Para o cientista político, o sequestro chamou a atenção de grande parte do país por ter ocorrido na capital federal e por envolver pessoas que já haviam sido condenadas pela Justiça. Para ele, o benefício da saída precisa ser revisto porque causa prejuízos à população, custos financeiros ao Estado e não promove a ressocialização dos presos.
“A própria polícia denuncia isso. Lembro de um caso em São Paulo de policiais alertando que iriam sair milhares de condenados e que muitas pessoas seriam vítimas de homicídios, sequestros e violências físicas. É uma medida que não promove a ressocialização, tem um custo financeiro altíssimo e coloca a população como refém.”
De acordo com Testa, a região do entorno do Distrito Federal já configura como uma das mais violentas do país e demonstra o problema da falta de jurisdição e de definição de responsabilidades em áreas de fronteiras –sejam elas municipais, estaduais ou mesmo federais.
“Passa a ser uma terra sem lei, que fica por conta do interesse dos traficantes, dos assaltantes e das quadrilhas. Torna-se um ambiente muito mais vulnerável e facilita a ação dos criminosos”, disse Testa. “O crime tem uma grande vantagem sobre o Estado porque não tem jurisdição, trabalha 24 horas, não é burocrático e ocorre de forma planejada e aleatória, tornando mais difícil ações de combate e prevenção”, finaliza.
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